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Torto Arado de Itamar Vieira Junior

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Torto Arado de Itamar Vieira Junior

A luta pela terra e a resistência negra em Torto Arado

Em “Torto Arado”, Itamar Vieira Junior tece uma narrativa poderosa que explora a luta pela terra e a resistência negra no sertão brasileiro. O romance se passa em uma fazenda fictícia chamada Água Negra, onde a família de Bibiana e Belonísia enfrenta a opressão e a violência de um coronel latifundiário.

A história começa com a morte misteriosa do Coronel Zico Rosado, um homem cruel e implacável que dominava a região. A investigação do crime revela uma teia de segredos e injustiças que remontam à escravidão. Bibiana, uma curandeira e líder espiritual, e Belonísia, sua irmã mais nova, emergem como símbolos de resistência contra a opressão.

Vieira Junior retrata com maestria a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra, um tema central na história do Brasil. A fazenda Água Negra representa o latifúndio, uma estrutura de propriedade desigual que concentra a riqueza nas mãos de poucos. Os moradores da fazenda são explorados e oprimidos, privados de seus direitos e dignidade.

Além da luta pela terra, “Torto Arado” também explora a resistência negra. Bibiana e Belonísia são descendentes de escravos e carregam consigo a memória e a força de seus ancestrais. Elas usam seus conhecimentos tradicionais e sua fé para enfrentar a opressão e lutar por seus direitos.

O romance é marcado por uma linguagem poética e evocativa que transporta o leitor para o sertão brasileiro. Vieira Junior usa metáforas e simbolismos para criar uma atmosfera imersiva e transmitir a complexidade das relações humanas. A terra, por exemplo, é retratada como um personagem vivo, testemunha das lutas e sofrimentos do povo.

“Torto Arado” é uma obra literária poderosa que denuncia a injustiça social e celebra a resistência negra. O romance de Itamar Vieira Junior é um testemunho da luta contínua pela terra e pela dignidade humana no Brasil.

 

A memória e a ancestralidade em Torto Arado

Em “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, a memória e a ancestralidade são fios condutores que entrelaçam as vidas das irmãs Bibiana e Belonísia. A obra explora a história de mulheres negras no sertão brasileiro, revelando as marcas profundas deixadas pela escravidão e o racismo.

A memória é um elemento crucial na narrativa. Bibiana, a irmã mais velha, carrega o peso das lembranças de sua avó, que foi escravizada. Essas memórias assombram Bibiana, moldando sua visão de mundo e sua luta contra a opressão. Belonísia, por outro lado, busca esquecer o passado, acreditando que isso a libertará das amarras da história.

A ancestralidade também desempenha um papel fundamental. As irmãs são descendentes de africanos escravizados, e sua herança cultural se manifesta em suas crenças, costumes e práticas. A terra, o “torto arado”, é um símbolo de sua conexão com o passado e com a luta de seus ancestrais.

Além disso, a obra destaca a importância da resistência e da luta contra a opressão. Bibiana e Belonísia enfrentam preconceito e violência, mas se recusam a se submeter. Elas encontram força em sua ancestralidade e na memória de seus antepassados, que lutaram pela liberdade e pela dignidade.

“Torto Arado” é um romance poderoso que explora a complexa relação entre memória, ancestralidade e resistência. Ao dar voz às mulheres negras do sertão brasileiro, Itamar Vieira Junior cria uma obra que é ao mesmo tempo histórica, social e profundamente humana. A memória e a ancestralidade são forças que moldam as vidas das irmãs Bibiana e Belonísia, inspirando-as a lutar por um futuro melhor e a honrar o legado de seus ancestrais.

 

 

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